Dor crónica em debate na Universidade do Minho: encontro deu voz a quem vive com dor
29 de Outubro, 2026A Escola de Medicina da Universidade do Minho recebeu, no dia 24 de outubro, o encontro “Dor na Primeira Pessoa: quando a ciência escuta a experiência”, uma iniciativa que reuniu pessoas com dor crónica, profissionais de saúde e investigadores para promover o diálogo entre a experiência vivida, a investigação científica e a prática clínica.
Organizado pela B.ACIS, ICVS, Centro de Medicina Digital P5 e 2-CA Braga, o evento, integrado nas comemorações do Dia Mundial da Dor, procurou sensibilizar para os desafios enfrentados por quem vive diariamente com dor crónica, destacando a importância de integrar a perspetiva dos doentes na investigação e na prestação de cuidados de saúde.
Ao longo da manhã, o encontro proporcionou momentos de partilha, reflexão e debate, aproximando diferentes perspetivas sobre a dor e contribuindo para uma compreensão mais abrangente do seu impacto na vida das pessoas.
Dar voz a quem vive com dor crónica
Um dos momentos centrais do programa foi a sessão “As pessoas com dor tomam a palavra”, dedicada aos testemunhos de pessoas que vivem com dor crónica.
A iniciativa colocou a experiência individual no centro da discussão, evidenciando a importância de ouvir quem convive diariamente com esta condição e de reconhecer as suas necessidades, dificuldades e expectativas.
Seguiu-se a mesa-redonda “Ouvir a dor”, que reuniu especialistas de diferentes áreas da saúde, incluindo medicina, enfermagem e psicologia, para refletir sobre os desafios associados à dor crónica e a importância de uma abordagem multidisciplinar.
O programa incluiu ainda a sessão “O médico-doente com dor crónica”, com a participação de Marcos Gouveia, médico e pessoa com dor crónica, trazendo uma perspetiva que cruza a experiência pessoal com a prática clínica.
Aproximar a investigação científica da experiência dos doentes
Mais do que abordar a dor crónica numa perspetiva exclusivamente clínica, o encontro destacou a importância de aproximar a ciência das experiências e necessidades reais das pessoas.
A integração da perspetiva dos doentes na investigação científica pode contribuir para identificar novas prioridades, melhorar a prestação de cuidados de saúde e combater o estigma frequentemente associado à dor crónica.
O evento contou ainda com o patrocínio científico da Associação Portuguesa para o Estudo da Dor (APED) e da SIP-PT – Societal Impact of Pain Portugal.
A realização deste encontro reforçou a importância da colaboração entre instituições científicas, profissionais de saúde e comunidade, promovendo uma abordagem mais participativa e centrada na pessoa na investigação e nos cuidados relacionados com a dor crónica.